PARANDO PARA ANALISAR: NA MINHA OPINIÃO A ERA VIKING NÃO DUROU SÓ 273 ANOS, ELA DUROU 1.065 ANOS

PARANDO PARA ANALISAR: NA MINHA OPINIÃO A ERA VIKING NÃO DUROU SÓ 273 ANOS, ELA DUROU 1.065 ANOS

Muitos entusiastas da história nórdica aceitam prontamente a data de 793 d.C., o ataque ao mosteiro de Lindisfarne, como o "nascimento" da Era Viking. Segundo a cronologia tradicional, ela terminaria em 1066 d.C., na Batalha de Stamford Bridge. Mas, parando para analisar de forma crítica: faz sentido dizer que uma cultura tão complexa, com engenharia naval inigualável e um sistema de escrita místico, durou apenas 273 anos? A resposta curta é não. O "espírito viking" foi forjado muito antes, começando a ganhar forma real ainda na Idade do Ferro Romana.

Se olharmos para as evidências arqueológicas, percebemos que o que chamamos de Era Viking é, na verdade, apenas o ápice de um processo que já durava quase um milênio. As famosas Runas, por exemplo, não surgiram no século VIII. O alfabeto rúnico (Futhark Antigo) já era utilizado desde o século II d.C., fruto do contato entre as tribos germânicas do norte e o Império Romano. Ou seja, centenas de anos antes do primeiro ataque viking na Inglaterra, os nórdicos já registravam suas linhagens e magias em pedras e metais.

A tecnologia naval, o maior trunfo dos vikings, também não foi uma invenção repentina. A obsessão escandinava pelo mar é milenar. Na Idade do Bronze Nórdica (c. 1.700 a.C.), gravuras rupestres já mostravam navios tripulados. No entanto, é na Idade do Ferro Romana que vemos o salto tecnológico: o desenvolvimento de cascos sobrepostos e, posteriormente, a adição da quilha e da vela. Navios como o de Nydam (c. 320 d.C.) provam que a engenharia necessária para atravessar oceanos já estava sendo testada e refinada séculos antes de qualquer "viking" colocar os pés em solo britânico.

Além disso, a estrutura social que permitiu a expansão — uma elite guerreira altamente estratificada e um panteão de deuses como Odin e Thor — já estava consolidada na Era de Vendel (c. 550 d.C.). Os capacetes magníficos e os barcos-túmulo encontrados em sítios desse período mostram uma aristocracia armada e ritualística idêntica à que veríamos nos séculos seguintes.

Portanto, a ideia de que a Era Viking durou menos de 300 anos é uma convenção acadêmica baseada apenas em registros de ataques estrangeiros, e não na realidade cultural da Escandinávia. Para o habitante do norte, não houve uma mudança brusca em 793 d.C., mas sim a continuidade de um estilo de vida que já existia há muito tempo. Se formos justos com a história, a Era Viking durou mais de mil anos, desde as primeiras interações com Roma até a cristianização definitiva.

Na minha opinião, a Era Viking começou durante a Era Romana, onde as bases do que viria a ser o terror e o fascínio da Europa foram estabelecidas. O famoso ataque ao mosteiro de Lindisfarne em 793 d.C. foi apenas a manifestação da vontade Viking de explorar o mundo, mas a cultura e o espírito guerreiro já pulsavam na Escandinávia há séculos. A própria Era de Vendel deve ser considerada, por direito, como parte integrante da Era Viking. O que muitos historiadores veem como um "período de preparação" foi, na verdade, a vida normal e cotidiana daqueles povos; não foi um treinamento, foi a própria existência e cultura deles em pleno exercício.

Sendo assim, se contarmos desde o início da influência romana e o desenvolvimento das runas e barcos sofisticados, a Era Viking durou cerca de 1.065 anos. Desconsiderar esse tempo é a mesma coisa que desconsiderar a infância e a adolescência de alguém e começar a contar a vida dela apenas a partir da maioridade; muita coisa importante aconteceu antes.




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