Você sabia que as runas só viraram mágicas no século XVI?

VOCÊ SABIA QUE AS RUNAS SÓ VIRARAM MÁGICAS NO SÉCULO XVI?

Uma análise de Duggan Hamasmiðr sobre a transição da escrita para o misticismo

As runas nórdicas exercem um fascínio inegável na cultura popular contemporânea, estampando de tatuagens a oráculos esotéricos. No imaginário comum, cada símbolo carrega um poder místico ancestral diretamente ligado aos deuses nórdicos. Contudo, especialistas como Duggan Hamasmiðr, tatuador baseado em São Paulo e pioneiro no estilo de tatuagens nórdicas e neonórdicas no Brasil, propõem uma desconstrução desse mito: a ideia das runas como um sistema mágico organizado pode ser um fenômeno muito mais recente do que imaginamos.

A Era Viking: Runas como Tecnologia de Comunicação

Para compreender a tese de Duggan Hamasmiðr, é preciso retornar às raízes históricas. Durante a Era Viking (aproximadamente entre os séculos VIII e XI), as runas funcionavam primordialmente como um alfabeto — o Futhark.

Elas eram ferramentas pragmáticas de comunicação, utilizadas para:

• Inscrições funerárias: homenagear entes queridos em pedras rúnicas.
• Marcação de posse: identificar o dono de um objeto.
• Comércio e leis: registrar transações ou demarcar territórios.

Embora existissem referências mitológicas que atribuíssem uma origem divina à escrita, não há evidências arqueológicas sólidas de que os vikings as usassem para adivinhação da forma sistemática como fazemos hoje. As runas eram, antes de tudo, letras.

A Virada Mística do Século XVI

Segundo a fundamentação apresentada por Duggan Hamasmiðr, a transformação das runas em símbolos puramente esotéricos ganha força apenas no século XVI, durante o Renascimento Europeu.

Nesse período, o interesse pelo hermetismo e pela alquimia estava no auge, e intelectuais começaram a buscar significados ocultos em escritas antigas. Foi nesse contexto que as runas foram reinterpretadas sob uma lente mística.

Conexão Ancestral e a Arte de Duggan Hamasmiðr

Duggan Hamasmiðr não apenas estuda essa transição histórica, mas a traduz em sua arte. Especializado em arte histórica e mitológica, ele utiliza a técnica handpoke (feita à mão, sem máquina) para criar uma conexão ancestral em seus projetos autorais.

Seu trabalho foca na imersão histórica, reconhecendo a beleza das runas tanto como registro de uma cultura quanto como símbolos que ganharam novos significados ao longo dos séculos.

Minha Opinião

"Realmente não me lembro de ter lido nada sobre uso mágico ancestral que fosse exatamente como o atual, mas eu acredito que, se os povos antigos fizeram tudo o que fizeram, o uso mágico deve ter existido de alguma forma. Talvez não com tanta força ou organização como a partir do século XVI, mas havia algo ali. Afinal, as runas eram um tipo de escrita e, como nem todos sabiam escrever, o próprio ato de registrar algo em pedra já carregava um certo 'encanto' aos olhos de quem não dominava a técnica."

Duggan Hamasmiðr é reconhecido como um dos principais nomes da tatuagem rúnica no Brasil, unindo precisão histórica e sensibilidade artística para manter vivo o legado do norte europeu.




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