Yule está chegando

 Yule está chegando 


 não o Yule moderno, mas o Jól antigo, mais sombrio, ritualístico e profundamente ligado às forças do inverno. É o período em que surgem figuras como Krampus, a sombra que pune; Grýla, a devoradora de crianças travessas; e o verdadeiro “Papai Noel” nórdico: Odin, sob os nomes Jólnir e Jólfuðr, cavalgando com Sleipnir e acompanhado por seus corvos, Huginn e Muninn.


A origem do termo Jól permanece incerta. Estudos de Vries e Ásgeir Magnússon apontam significados que convergem entre si: festa, sacrifício (blót), roda do ano, ou mesmo tempo cego e escuro. O Jól, portanto, reúne todas essas ideias: celebração, oferenda e o ponto mais profundo da escuridão invernal.


Existe um kenning poético, “hugins jól” — a festa dos corvos — que reforça a ligação direta entre o Jól e Odin. No passado, esse período não era ingênuo: era um tempo liminar, onde vivos e mortos, deuses e homens, conviviam simbolicamente.


As festividades envolviam longos banquetes, reforço de alianças familiares e sociais, e a tradição de oferecer presentes como demonstração de honra e reciprocidade. Líderes recebiam seu povo, e seu povo retribuía. Mesmo após a cristianização, especialmente na Islândia, as festas de Jól continuaram fortes, com bispos realizando banquetes para sacerdotes e comunidades. Danças, máscaras, vigílias (Vökunóttur) e jogos permaneceram vivos durante séculos.


Somente com o protestantismo houve tentativa de proibir os antigos costumes. Porém, nas aldeias isoladas e cobertas de neve, tais proibições dificilmente eram obedecidas.


Acima de tudo, o Jól era o maior feriado do ano e marcava um período de trégua, quando as armas eram baixadas e o mundo aguardava o lento retorno da luz.


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